
Os dias têm sido movimentados para a diplomacia. Fanfarronices da diplomacia brasileira à parte no caso Zelaya-Chavez. Prefiro comentar os discursos na AG da ONU. Acabo de ouvir o do Chavez e acho que foi melhor do que ver um filme de comédia no cinema. Chavez pode ser um perfeito idiota, mas tem uma boa retórica, o que dá um ar de seriedade aos seus discursos. Ele flerta com Lula e com o socialismo. Diz que busca um socialismo renovado. Desde 1989 buscam algo assim, mas Lula é tudo, menos socialista. A idéia de focar em uma alternativa (bolivariana?) para mudar o sistema capitalista mundial é utópica demais e, no fim, me parece que todos gostam de ouvir Chavez, mas apenas com a finalidade de divertimento. Para ouvir alguém que ainda é idealista em um mundo realista.
O discurso de Obama foi interessante. Mostra-se claramente distante da diplomacia neo-conservadora de Bush e faz questão de demonstrar isso nos fórun multilaterais.
Como publica o NY Times: During his address to the General Assembly, Mr. Obama sought to present a kinder, gentler America willing to make nice with the world. He suggested that the United States would no longer follow the go-it-alone policies that many United Nations members complained isolated the Bush administration from the organization.
Ele conseguiu bons resultados na área das armas nucleares. Patrocinou uma resolução que foi aprovada por unanimidade no Conselho de Segurança hoje. A idéia é limitar e inspecionar todas as exportações de materiais físseis que podem ser usados para o desenvolvimento de armas nucleares. Ou seja, mesmo se o país não faz parte do TNP seria monitorado por inspetores que verificariam suas exportações vinculadas a esses materiais. O tema foi direcionado ao Irã e a Coréia do Norte é claro. E Obama conseguiu o apoio da China e da Rússia que, antes se mostravam relutantes em expandirem sanções contra o Irã.
Nas palavras de Obama: During his address to the General Assembly, Mr. Obama sought to present a kinder, gentler America willing to make nice with the world. He suggested that the United States would no longer follow the go-it-alone policies that many United Nations members complained isolated the Bush administration from the organization.
Apesar dos sucessos, os temas do Irã e do processo de paz entre Israel e Palestina permanece sem avanços. Discursos animadores são efêmeros para o Oriente Médio. Lembro-me do mesmo otimismo pairando sobre a reunião entre Clinton, Rabin e Arafat em 1993 e logo começou outra intifada estimulada pelo falecido Arafat.
Resumo: Ponto negativo para Lula e ponto positivo para Obama.



