domingo, 31 de maio de 2009

A Crise Mundial dos Alimentos

As nações de todo o mundo tem observado a ascensão de uma crise envolvendo a produção de alimentos nos últimos dois anos sem precedentes no que tange às suas causas imediatas. Protestos de rua em vários países são as reações mais comuns diante da atual crise dos alimentos em escala mundial. Quais seriam as principais causas dessa crise em um setor fundamental para a economia internacional?
Durante o século XIX, os países mais populosos do mundo não pressionavam os preços dos alimentos, pois a mão-de-obra barata na China e na Índia não gerava fortes demandas nesse setor. Contudo, a figura atual mudou e uma das principais causas econômicas da crise dos alimentos está justamente na ascensão do poderio econômico da China e da Índia e, em conseqüência disso, o aumento do poder aquisitivo das classes assalariadas desses países que juntos correspondem a cerca de 1/3 da população mundial.
Outro fator que devemos levar em conta é o aumento pela demanda por biocombustíveis. Nos EUA, por exemplo, O processo de fabricação do biocombustível é baseado no milho e os gastos envolvidos nesse processo absorvem 10% da produção mundial deste cereal. A União Européia responsabiliza o foco nos biocombustíveis pela alta expressiva dos preços das commodities agrícolas que vem causando inflação em todo mundo. Há, de fato, uma elevação nos preços dos cereais e da energia em todo o mundo, além do impacto negativo na agricultura.
Um terceiro fator contribuindo para a crise dos alimentos é o aquecimento global que tem ocasionado secas severas em países produtores de cereais como a Austrália e a Argentina, retardando, assim, a colheita. Esses três fatores em conjunto: o aumento da demanda na China e na Índia por alimentos, o boom dos biocombustíveis e as mudanças climáticas produzem resultados extremamente negativos ao redor do mundo, principalmente nos países menos desenvolvidos.
Uma reportagem do Le Monde Diplomatique em Maio de 2008 demonstrou que nos países ricos, os gastos básicos com alimentação representam apenas 14% da renda familiar. Nos países mais pobres, como em toda região da África subsaariana e na maior parte do sudeste asiático, os custos da alimentação consomem 60% da renda. Portanto, qualquer aumento pode ser fatal nos países menos desenvolvidos, pois as importações de produtos básicos ficarão mais caras.
O resultado dos fatores supracitados são os vários levantes populares que irromperam no México, Argentina e em vários países africanos diretamente afetados pela alta dos preços dos alimentos. A política adotada por esses países para lidar com o problema tem sido a elevação dos subsídios, controle de preços e até a proibição da exportação de alimentos. O paradoxo atual é que a agricultura voltou a ser colocada no centro dos debates sobre o desenvolvimento econômico, ou seja, logo o setor que as Instituições de Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial, contribuíram para enfraquecer com suas cartilhas de liberalização da economia.

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