domingo, 31 de maio de 2009

Os EUA de Barack Obama e as chances de mudança.

O novo presidente dos EUA já entrou para a história. Seus discursos modernos e sua visão cosmopolita chamaram a atenção da população norte-americana cansada com a recessão em sua economia e com duas guerras longas e dispendiosas. São heranças da administração Bush que Barack Obama terá que enfrentar.
A vitória de Obama é algo sem precedentes na história eleitoral norte-americana com vitórias em Estados tradicionalmente republicanos. Além disso, os democratas conquistaram o maior número de congressistas e serão maioria. Em outras palavras, Obama terá um capital político elevado para empreender as mudanças na política doméstica e externa.
A principal mudança em relação ao atual governo é que Obama entende o mundo como multipolar e percebe que os EUA passaram por um decréscimo no seu poder nacional nos últimos anos. Isso decorre, em grande parte, por conta da ascensão econômica de países como a China, Índia e o retorno da Rússia enquanto potência militar pró-ativa. No tema do terrorismo, por exemplo, a percepção de Obama é a de que os EUA não podem vencer a “Guerra ao Terror” sozinhos. E isso é reflexo de uma avaliação da estrutura internacional pós-11 de setembro, caracterizada pelas ameaças difusas, muitas vezes presentes em redes terroristas que atuam em vários países.
Obama ressaltou em sua campanha o “poder moral” dos EUA. Trata-se de uma preocupação com a legitimidade de sua política externa. Ou seja, não agir unilateralmente para não ficar isolado politicamente depois. A política externa de Obama parece dar um enfoque maior ao poder de atração e persuasão dos EUA e posiciona o poder militar como a última alternativa.
Mas isso significa uma grande mudança? Só o tempo irá dizer, mas a tendência é que os interesses de longo prazo dos EUA equilibrem uma visão benevolente na política externa. A realidade de poder atual concede aos EUA o maior poderio econômico e militar do mundo e os interesses nacionais muitas vezes prevalecem sobre concepções morais específicas. Bill Clinton é democrata como Obama e foi um dos presidentes que mais promoveu intervenções militares no exterior entre 1993 e 2001. Por conseguinte, é improvável que Obama abdique de manter ou expandir, quando possível, o poder norte-americano ao redor do mundo e para tal objetivo é justamente o poder militar o vetor tradicional.
Não serão os objetivos de vencer a “Guerra ao Terror” que mudarão. Tampouco os gastos militares necessários para a manutenção da hegemonia norte-americana. O que tende a mudar, de fato, são os meios empregados nos objetivos da política externa dos EUA. Como, por exemplo: As negociações diplomáticas com o Irã e Coréia do Norte em vez de ameaças de sanções; a revitalização das relações com o mundo islâmico; a mudança de foco para o Afeganistão e Paquistão como pontos estratégicos principais para enfraquecer a Al Qaeda; um plano de retirada e transferência de poder no Iraque e por fim, o principal, a melhoria da imagem internacional dos EUA.

Nenhum comentário:

Postar um comentário